3 de novembro de 2011

E se realmente gostarem?


E se realmente gostarem?

Se o toque do outro de repente for bom?

Bom, a palavra é essa. Se o outro for bom para você.

Se te der vontade de viver. Se o cheiro do suor do outro também for bom.

Se todos os cheiros do corpo do outro forem bons.

O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo.

Bons, normais, comuns. Coisa de gente.

Cheiros íntimos, secretos. Ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro,

 a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros.

E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor?

Quando você chega no mais íntimo, No tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a

palavra nojo não tem mais sentido.

[...] Amor no sentido de intimidade, de conhecimento muito, muito fundo.

Da pobreza e também da nobreza do corpo do outro.

Do teu próprio corpo que é igual, talvez tragicamente igual.

O amor só acontece quando uma pessoa aceita que também é bicho.


                                                                             

(Desconheço o autor)

chris lopes
03/11/2011

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